Fazer um doutoramento não é fácil (embora hajam pessoas que
pensem que sim) e eu ampliei esta condição. De vez em quando dá-me para tremer
o queixo com os meus cinco minutos de pânico. O processo é mais ou menos assim:
O meu projeto de doutoramento é ambicioso. Ouvi isto muitas
vezes. Eu sabia que era, ou melhor, era assim que eu queria que fosse. Tenho
três grandes dimensões que se relacionam de tal forma que tudo tem de ser
integrado se não, não valeria a pena inclui-las a todas. X com Y; Y com Z; Z
com X; e X com Y e com Z. Deu para entender? Huuum, se calhar não mas é que é
mesmo isso que acontece. E depois ainda temos os participantes no estudo. Podia
ficar-me só com os alunos, ou só com os professores, ou só com os profissionais.
Mas não, quis todos, todos, todos. Agora que mergulho nos dados, que sonho com
os dados, que respiro os dados, pergunto-me: ”no que é que te meteste,
miúda?”.
Pode dizer-se que os dados é coisa do demónio. Mexem com
tudo o que já parecia estar certo. A estrutura da tese estava linda maravilhosa.
Mas isto era o que pensava até mergulhar, sonhar e respirar os dados. Mudei a
estrutura da tese pela enésima vez, esperando que seja a última.
Vou pensando com as mãos e com o papel e com os post its (já
disse que não sei estar sem post its?) e tudo vai ganhando forma dentro da
minha cabeça. E é aí que a preocupação também ganha forma: E se não conseguir
escrever toda esta clareza que habita na minha cabeça? E se não consigo
entregar a tese? E se não for aprovada? E se …
E, de quando em quando, são assim os meus cinco minutos em
que tremo o queixo de pânico.






