Estou oficialmente a entrar no meu 2º ano do doutoramento. Olho, então, para o último ano e o que vejo? Tanta coisa que parece que foi muito mais do que 365 dias.
Tudo começou com o momento do "aprovado". Foi uma sensação de satisfação que acho que nunca tinha sentido. Fazer birra, bater com o pé no chão, não deixar que me contrariem ... às vezes tem de ser para garantirmos aquilo que queremos. E eu sempre soube muito bem o que queria. Não foi fácil ir mantendo esta postura ao longo de tanto tempo, mas fui conseguindo equilibrar e aguentar e suportar e, acima de tudo, acreditar. Valeu a pena. Depois foi o arranque ... para mim não foi estranho, porque não sentia que estava a começar, mas antes a continuar. Desde o estágio que ando nisto e são, portanto, quatro anos. Por isso, tive tempo de perceber como é que se faz investigação, como se trabalha, como se publica, onde é que eu sou boa e onde é que eu falho
(continuo a não saber fazer títulos em condições!). Fazer investigação faz parte de mim. No meu imaginário sei que seria capaz de fazer muitas coisas
(da fotografia à escrita), mas é investigação que eu faço e que quero fazer. Acho que a maior parte das pessoas não percebe muito bem o que isto é, pelo menos é o que vou sentindo, mas qualquer dia ainda escrevo sobre isto.
Este foi um ano centrado nas aulas do mestrado e na pesquisa de informação. E como não sei estar só a fazer uma coisa, ainda foram a organização de conferências e workshops e, claro, a submissão de projectos. Quatro submetidos. Três à espera de resposta e um recusado por termos falhado num dos requisitos, tornando a proposta elegível
(cada vez que penso dá-me um "bac!" cá dentro).
Este ano vai ser ano de resultados e é por isso que tenho de estar mais focada. Recolha intensiva de dados - inquéritos e inquéritos e inquéritos! Publicações em conferências
(já lá vão seis!), mas é nas publicações em revista que estou a apostar. Espero no final do ano ter duas prontas para submissão.
Houve uma altura em que a minha orientadora me disse para ter cuidado com a ambição. A verdade é que preciso de ter estes números na minha cabeça para fazer acontecer. Acho que depois ela percebeu o meu ponto de vista, mas deixou-me a pensar se efectivamente conseguiria suportar tanta carga. Continuo sem saber ... e também isto faz parte do processo: inseguranças e incertezas, medo de falhar, lidar com críticas, suportar o cansaço, resistir à pressão, engolir sapos
(e às vezes elefantes) ... há dias assim, que apetece mesmo mandar tudo às favas, mas vou sentindo que também é isto que me faz perceber aquilo que quero e aquilo que não quero e que também me faz acreditar que posso fazer mais e mais e mais.
E pronto. Parece que faltam três anos.
So far so good.