17 abril, 2012

adormecida e acordada

Hoje falava-se d' "A Bela Adormecida". Hoje encontrei este poema da Adília Lopes (da melhor poesia que tenho lido nos últimos tempos): "A Bela Acordada".

Há quem diga que dentro de mim moram muitas pessoas; e eu confirmo: tenho a Adormecida e tenho a Acordada, sem de bela ter nada.



Era uma vez uma mulher que tão depressa era feia era bonita, as pessoas diziam-lhe:

- Eu amo-te.

E iam com ela para a cama e para a mesa.

Quando era feia, as mesmas pessoas diziam-lhe:

- Não gosto de ti.

E atiravam-lhe com caroços de azeitona à cabeça.

A mulher pediu a Deus:

- Faz-me bonita ou feia de uma vez por todas e para

sempre.

Então Deus fê-la feia.

A mulher chorou muito porque estava sempre a apanhar

com caroços de azeitona e a ouvir coisas feias. Só os animais

gostavam sempre dela, tanto quando era bonita como quando

era feia como agora que era sempre feia. Mas o amor dos animais

não lhe chegava. Por isso deitou-se a um poço. No poço,

estava um peixe que comeu a mulher de um trago só, sem a

mastigar.

Logo a seguir, passou pelo poço o criado do rei, que

pescou o peixe.

Na cozinha do palácio, as criadas, a arranjarem o peixe,

descobriram a mulher dentro do peixe. Como o peixe comeu a

mulher mal a mulher se matou e o criado pescou o peixe mal o

peixe comeu a mulher e as criadas abriram o peixe mal o peixe

foi pescado pelo criado, a mulher não morreu e o peixe

morreu.

As criadas e o rei eram muito bonitos. E a mulher ali era

tão feia que não era feia. Por isso, quando as criadas foram

chamar o rei e o rei entrou na cozinha e viu a mulher, o rei

apaixonou-se pela mulher.

- Será uma sereia ? – perguntaram em coro as criadas ao

rei.

- Não, não é uma sereia porque tem duas pernas, muito

tortas, uma mais curta do que a outra – respondeu o rei às

criadas.

E o rei convidou a mulher para jantar.

Ao jantar, o rei e a mulher comeram o peixe. O rei disse à

mulher quando as criadas se foram embora:

- Eu amo-te.

Quando o rei disse isto, sorriu à mulher e atirou-lhe com

uma azeitona inteira à cabeça. A mulher apanhou a azeitona e

comeu-a. Mas, antes de comer a azeitona, a mulher disse ao rei:

- Eu amo-te.

Depois comeu a azeitona. E casaram-se logo a seguir no

tapete de Arraiolos da casa de jantar.

09 abril, 2012

Potencializar é:

Ir escrever mais uns caracteres no artigo que tem de ficar pronto hoje (H-O-J-E) durante o intervalo do jogo do Benfica. 

[por isso, não me posso extender muito por aqui, sim?
Mas eu volto, quando a minha cabeça for ao sítio....]

31 março, 2012

muitas voltas e rodopios

Estou há dois anos para ler este livro e aconteceu só esta semana; e apenas porque acabei por encontrá-lo por uma pechicha. Na realidade não me apetecia dar quase 18 euros (os livros são mesmo caros, caramba!) por um romance dos tempos modernos. É aquele receio de uma aproximação aos Sparks ou às nossas Margaridas. Tudo isso me faz espécie.

Mas o David Nicholls foi uma bela e simples surpresa. A estrutura do livro está muito bem conseguida. E o conteúdo do romance em si ... também. É, de fato, um romance dos tempos modernos, mas com personagens bem reais, diálogos bem reais, acontecimentos bem reais. Chega a ser divertido e também faz pensar naquilo que todas as pessoas, em algum momento e por diversas razões, já pensaram: a vida dá  muitas voltas. E eu acrescento: e muitos rodopios.

Este livro foi particularmente bom para abafar as insónias da semana. Fui intercalando a leitura com o Kerouac - que tem uma escrita que me deixa sem respirar de tão intensa, mas sobre isso falaremos daqui a uns dias - e quando dei por mim já o tinha acabado.

Para quem quer ler uma boa história, para pensar em muitas voltas e rodopios, não deixem de ler o "Um Dia". Se puderem comprem um livro com a capa original. Não sei porque é que insistem em fazer capas com imagens dos filmes ... é que estragam tudo!


29 março, 2012

Toda eu sou doutoramento. 


E para ser mesmo eu ... tenho de ser outras coisas. 

24 março, 2012

Hoje criei um plano ambicioso de trabalho. Ambicioso por ser sábado. Ambicioso pelas implicações. Ambicioso considerando o meu cansaço crónico. Mas só sei criar planos ambiciosos, sejam quais forem as variáveis.

Estou quase a cumprir (até eu estou espantada!) e já estou a pensar no que fazer a seguir.
Apetecem-me coisas, muitas coisas, uma misturada de coisas e todas as coisas ao mesmo tempo (e isto não me espanta, sou mesmo assim).

Mas acho que vou ganhar coragem para escrever o conto que anda enfiado no caderno e na cabeça.
Acho que é hoje. Acabo de decidir que é hoje. Sim, é hoje.

21 março, 2012

Há dias em que gostaria de ter mais paciência.
Há dias em que gostaria de ter mais energia.
Há dias em que gostaria de ter mais palavras. 

Hoje é um desses dias.

18 março, 2012

é um livro gigante

Quando comecei a ler "A Queda dos Gigantes" fiquei desconfiada (como sempre!) se conseguiria ou não acompanhar a história. São tantas e tantas as personagens que pensei que iria de estar constantemente a consultar o início para ver quem era quem. Nada disso. O Ken Follett impõe uma fluidez na escrita difícil de encontrar. Em cada capítulo vamos conhecendo mais as personagens e quando demos por ela, são nossas. Só por isso este livro já seria gigante. Mas há mais. A forma como a Primeira Guerra é retratada faz-nos aprender mais; diria que, numa mistura entre realidade e ficção, conhecemos os bastidores da guerra que os alemães perderam. Só por isso este livro já seria gigante. Além disso, faz-nos viajar: Londres, Berlim, São Petesburgo, Paris, Estados Unidos, Estocolmo, Moscovo... Só por isso este livro já seria gigante. 

Comecei a lê-lo em Fevereiro e deixei-o por cá quando fui para o Brasil, por causa das mais de 900 páginas (factor impeditivo para quem quer trazer livros e cajus na mala). Quando na quarta-feira lhe voltei a pegar pensei que iria ter de recomeçar, pelo menos um capítulo para trás, só para me situar. Mas não foi preciso. As personagens estavam lá e em mim, como há cerca de 20 dias atrás. Só por isso este livro já seria gigante.

Não é dos melhores livros que já li, como muitos afirmam; mas é seguramente um livro gigante.
 


16 março, 2012

palavras catitas # 3

Desconsolo. 


Fez um sucesso e tanto no Brasil, quando eu disse que era um desconsolo quando a cerveja não vem gelada:

"Dianinha, mas que palavra poética! Vou adoptar" (dito com sotaque, claro) 

14 março, 2012

idas, voltas e vontades

Estive uns dias fora. Voltei ao Brasil a trabalho. Sabe bem ir. Conheci pessoas novas, estive em sítios novos, experimentei cervejas novas e aprendi tantas coisas que cresci mais uns centímetros.

O regresso sabe bem. Ainda não há espaço para recuperar as olheiras e o cansaço. Sinto-me a trabalhar como uma borboleta irrequieta. Uma enorme vontade de ler as revistas que entretanto chegaram, de acabar as últimas 300 páginas da "Queda dos Gigantes" e de continuar o livro do Kerouac que comecei por lá. Uma vontade ainda maior de aproveitar este sol de inverno, de correr no parque, de fotografar as ruas e sentar-me a comer gelados do Spirito, de escrever o conto que está enfiado no meu caderno.

Nestes entretantos fico-me pela vontade; vou continuar a trabalhar como uma borboleta irrequieta.
O que vale é que gosto mesmo do que faço.