15 outubro, 2012

nove post its colados na minha testa

orçamento de Estado - parar para pensar sobre o assunto
eleições do Benfica - não esquecer de ir votar
novo livro da Sophia - comprar!
curso de escrita criativa - confirmado
acabar o artigo - esta semana
começar o artigo - próxima semana
procurar umas botas catitas- urgente (só não sei quando)
ler o "não é meia noite quem quer" - mal posso esperar
montar as estantes no quarto - será que vão caber todos os livros que andam soltos?

14 outubro, 2012

a palavrar desde 2008

Comecei este blogue há quatro anos, quase porque a Miss Marta me obrigou a fazê-lo (culpada!).
Como a babe Leninha dizia, isto de comentar, fazer posts, partilhar, para além de nos divertir (muitas gargalhadas dei!), fazia com que estivessemos mais próximos das pessoas com quem já não estávamos todos os dias. Boa verdade. Mas é também verdade que há muita gente que não conheço que lê o que escrevo e no início fui muito ingénua em relação a isso. Os meus Pensatempos foram sendo menos pessoais e tive momentos em que pensei que devia parar de escrever. Essas pausas motivaram quase manifestações da mana maravilha, da estrela Isa e de outras pessoas. Lembro-me de um dia ter recebido um email da babe Catarina com quem raramente agora estou, só para dizer que ler o que escrevo torna as saudades mais pequeninas. Depois foi por causa do blogue que conheci a Tashinha que é uma emoção em formato de pessoa, a Mafas que nunca acabei por conhecer pessoalmente mas é como se tivesse conhecido, a Joana que afinal estava aqui bem perto e outras gentes que fazem parte de mim.

O blogue não faz parte da rotina. Obriga-me a sair dela, a pensar e a escrever. Umas vezes escolho as palavras. Noutro momento são elas que me escolhem. Por isso é que, pela primeira vez, sinto que este blogue faz parte de mim... tão parte como as palavras.

Obrigada a quem passa por aqui só para me ouvir a palavrar.

11 outubro, 2012

o nobel, o lobo e a mãe

Hoje foi atribuído o Nobel da Literatura. À semelhança do ano passado, estava a pedir a todas as estrelas, peixes e borboletas, para que fosse o António Lobo Antunes. Mesmo com Murakami na lista, queria muito que fosse um dos nossos (e um dos melhores que temos, na minha opinião). Em jeito de homenagem (também poderia dizer, em jeito de pretexto), comprei o novo livro do Lobo Antunes - "Não é meia noite quem quer".

Apetece-me parar o que estou a ler ("Revolucionary Road"), o que até nem seria difícil, mas sou metódica nas minhas leituras. Já passei as cem páginas, que ainda não me convenceram... vamos ver o que acontece nas próximas cento e cinquenta.

Em relação ao "O Filho de Mil Homens"... hoje, que tanto se fala em livros, escritores e escritoras, parece-me um dia bom para escrever sobre o último do Valter Hugo Mãe.


Nestas páginas temos o Crisóstomo, o Camilo, a Isaura, o Antonino, a Matilde, a Mininha que é como quem diz Emília. São uma família inventada. Por ser inventada é que o livro se torna tão completo de afetos, de ligações, de sentimentos. É um livro que entra cá dentro e fica... Fica a dobrar.

E ainda bem que o Valter Hugo Mãe o escreveu, ainda bem! Estava capaz de o ler todos os dias até o saber de cor.
 

09 outubro, 2012

Toda a gente alguma vez já disse: "hoje não deveria ter saído de casa". Pois eu acho que deveríamos de ser avisados desses dias e marcar na agenda para não esquecer. 

Não é que hoje esteja num desses dias, mas há coisas que me afligem e me fazem querer não sair de casa, que é como quem diz, não querer ver o mundo. São tantas que lhes perco o rumo dentro do meu raciocínio e depois não consigo estruturar o pensamento - coisa que posso gabar-me de conseguir fazê-lo bem, ou pelo menos conseguia. Talvez precise de ir ao IKEA comprar umas caixas daquelas coloridas e catitas e começar a arrumar as coisas, uma de cada vez, sem lhe perder o rumo. E depois logo se vê se precisam de uma caixa maior ou mais pequena; se precisam de ir para o lixo ou para a máquina de lavar.

E hoje que chove sem parar... e ainda por cima ponho-me a ouvir Jeff Buckley e Bon Iver. Está mal. Não combina. Acho que secretamente vou me por a dançar isto e assim e aqui (3:18):


 

05 outubro, 2012

da república até hoje

Há muito muito tempo atrás, um conjunto de pessoas descontentes, teve a força e a coragem para deitar abaixo uma monarquia e mudar um país inteiro. Acreditavam que Portugal poderia ser mais e com razão. Hoje comemora-se a Implantação da República e pela última vez será um feriado nacional.

Fiquei a pensar...

Depois da República, depois da Ditadura e depois de todos outros momentos na nossa história chegamos a um país com auto-estradas, com caminhos-de-ferro, com estradas antigas conservadas, com mar a inundar parte do "rectângulo", com escolas, com universidades, com fábricas, com hóteis, com restaurantes, com museus, com quintas onde ainda se vindima, com escritórios em prédios quase altos, com castanheiros, com oliveiras e outras árvores que não sei o nome, com lugares em que somos nós a pôr a gasolina no carro, com cafés gourmet, salas de chá ou até mesmo tascas, com internet em cada canto e em movimento, com vinhos e muitos premiados, com cidades culturais, cidades com metro, cidades com neve, cidades desertas. E todas estas cidades livres. Sim, somos um país livre.

Mas, e as pessoas deste país? Têm força e coragem?
Ouvir falar, vale a pena o António Nóvoa e atrevo-me a dizer "só".
Fazer, há que reconhecer que, e ousando utilizar uma expressão bem popular (eufemismo para calão), "é preciso ter tomates" para fazer as malas e ir, ir para fora daqui. Contudo, reconheço que quem fica tem ainda mais coragem. Apesar de ver as pessoas cansadas, algumas angustiadas, muitas não deixam de dizer "Bom dia". Fala-se da austeridade, do Gaspar, do Passos e dos outros compinchas e começam os palavrões em formato de desabafo. Até a mim me saem, numa expressão de esperança morta. As pessoas aguentam-se estoicamente, fazendo contas,  preparando, suando. As pessoas reclamam, fazem greve, manifestam-se. Mas as pessoas até riem quando hoje viram a bandeira ao contrário.

Haja bom humor, paciência, coragem e liberdade.

02 outubro, 2012

ser Outono

Hoje já faz um bocadinho de frio. Já lembra o Outono à séria. Só faltam as folhas no chão para eu calcar, ouvir estalar até quase esfarelar. Está bom para as mantinhas, portanto. Estava capaz de tirar as botas (sim, já ando de botas porque sou uma ser humana que sofre de frio mais do que a maioria), encolher-me num cantinho, como que escondida, e começar a ler o décimo capítulo d' "O Filho de Mil Homens" do Valter Hugo Mãe.

É tudo o que me apetece. Aliás, é o que se deveria fazer no Outono: ler até à exaustão num cantinho qualquer, sair à rua só para esfarelar as folhas e até mergulhar nelas quando estão organizadas em forma de núvens, comer marmelada com marmelada, olhar e cheirar os dióspiros (mas sem comer, não gosto) porque me faz lembrar a minha avó. 

É tudo o que me apetece: ser Outono. 

29 setembro, 2012

O Grande Gatsby

Era daqueles livros que sabia que tinha de ler, mas acabava por nunca acontecer. Isto durante anos. Até que no início de Setembro aconteceu. A andar numa rua no centro de Guimarães esbarro numa livraria escondida, sem nome (pelo menos eu não vi em lado nenhum) e sem ordem, como se os livros se mexessem a toda a hora sem nos apercebermos. Foi de lá que então veio "O Grande Gatsby", da Presença.

Para quem já leu, não é preciso dizer o quão bom este livro é. Não dá para resistir e gosta-se tanto que quando se lê a última página ficamos a querer mais. Para quem não leu, apenas digo que o leiam quando vos vier parar às mãos, sem se aperceberem.

Como disse, estive anos a querer lê-lo mas sem o ler, até que aconteceu. Acredito que há livros que temos de ler na altura certa, porque traz mais do que o próprio livro. Traz momentos que o tornam imortal. No meu caso, a altura certa foi quando passou a existir uma livraria desconhecida e caótica (uma maravilhação!) e esse livro me veio surpreendentemente parar às mãos. E foi assim que "O Grande Gatsby" se tornou imortal dentro de mim. E é tudo o que este livro merece.

26 setembro, 2012

impaciências

Sou uma miúda impaciente. Tanto, que já consigo identificar em mim os sintomas. E aí, começo a engolir e vai tudo para dentro. Não admira que depois grite no osteopata cada vez que me mexe nas costas e no pescoço. E depois também há todo um fenómeno na cabeça. Diz o meu neurologista que os meus vasos estão a ficar fraquitos pela tensão que faço na parte superior. Por isso, sou uma miúda impaciente com contracturas eternas e cefaleias vasculares.

Tudo isto me fez reflectir sobre a minha impaciência. Acho que está relacionado com o meu pragmatismo. Por isso, não tenho paciência para:

- coisas repetidas (excepção: episódios do Seinfeld)
- músicas da Adele (e suas semelhantes)
- aquela cor trigre em tudo o que é roupa (que epidemia!)
- snobismo (em palavras, gestos e acções)
- o orgulho de quem não sabe pedir desculpa quando deve pedir (aqui a impaciência mistura-se com nervosite)
- o meu cabelo quando atinge estado de Chewbacca (já para não falar das brancas que se multiplicam como cogumelos)
- palavras mal escritas e verbos mal conjugados (há quem ache piada, eu não)
- aqueles que deixam o carro mal estacionado na minha rua e me obrigam a andar por cima do passeio (meus grandes anormais, para a próxima juro que chamo a polícia!)
- estar parada, assim, sem fazer nenhum (sim, sou impaciente comigo mesma)
- o Benfica não ter um médio-centro (como não ficar impaciente?)


E agora não tenho paciência para escrever mais impaciências.

18 setembro, 2012

Portugal não me (nos) trata bem

No sábado, enquanto meio país estava na rua, eu estava em Cambridge enfiada numa sala a trabalhar. Talvez por isso, nestes últimos dias, tenho absorvido tudo o que é notícias, imagens, crónicas, opiniões, números e coisa e tal sobre a Manifestação (até a moça que abraçou o polícia). E confesso que fico sempre emocionada. Deveríamos sair à rua todos os fins-de-semana, mostrar a vontade esfrangalhada, o peso da vida, a esperança morta.

Há muito tempo atrás li um artigo de opinião (não me lembro onde, nem de quem) em que o autor contava que, num jantar com um amigo que agora vivia na Nova Zelândia, este lhe perguntava: "e o teu país trata-te bem?". Desde então que me questiono sobre isso. Gosto do meu país. Gosto das pessoas. Gosto da comida. Gosto dos sotaques. Gosto de andar a pé pelas ruas. Mas é um país que não me trata bem. Sobretudo quando quem me põe o dinheiro na conta ao final do mês é o Estado. É muito ingrato fazer investigação neste país. Primeiro é conseguir a bolsa - sete cães a um osso. Depois é conseguir que a FCT nos finalize o contrato - uma eternidade. E depois temos de fazer muito, muito mesmo, para conseguirmos ser os melhores. E fazer parte dos melhores, em investigação, infelizmente, significa produzir. Por outras palavras, quem escrever mais artigos em revistas-com-mais-pinta-internacional, ganha. Já para não falar na angústia de pensar "e a seguir vou fazer o quê?". Suspiro. Muitas coisas poderiam ser faladas a este respeito, que é o meu e de muitos outros bolseiros de investigação, cuja vontade é arrumar os livros, a roupa, a cabeça e o computador e zarpar daqui para fora!

Mas também há as inquietações das outras pessoas, que este país também não trata bem. Ontem estava no supermercado e um senhor, com uma bengala gasta pelo tempo e com uma camisola que parece ser a única que existe, pedia no talho aqueles restos de carne que não se pagam. Quase envergonhado, justifica-se para comigo dizendo: "Sabe menina, isto já dá uma bela sopa". E eu fiquei com o coração feito em pó. E depois saber que um pai não pode mandar a filha (que é só a melhor aluna da escola) para a Universidade porque não tem como fazê-lo. É ouvir perguntas dos estrangeiros (no Brasil, em Londres), "e que tal vai Portugal?", e ter de responder que batemos no fundo, embora o diga de forma mais poética porque na verdade sinto é vergonha. Sinto vergonha de fazer parte de um país que não trata bem as suas pessoas, que as varre para outros países porque batemos no fundo (e agora não preciso de o dizer de forma mais poética). 

Custa dizer isto, com ou sem metáforas, de um Portugal que eu gosto...
Mas que não me (nos) trata bem. 

03 setembro, 2012

Para mim o ano não começa em janeiro, mas em setembro.

Gosto de fazer isso que é parar para pensar na vida, de planear trabalho para o ano (planos ambiciosos!) e de fazer promessas, como voltar ao ginásio (esta tem de ser cumprida!). Também digo para mim mesma que vou escrever mais, ler mais, fotografar mais. E ainda aproveitar mais os últimos meses da Capital Europeia da Cultura, assim, como não houvesse amanhã. Depois comer menos, ser menos impaciente (e noutras coisas, mas esta é prioritária) e entrar menos vezes na Fnac ou trazer menos sacos com coisas da Fnac.

Ah, e dormir melhor, coisa que gostava mesmo muito que acontecesse.